domingo, 30 de janeiro de 2011

Atualização das minhas leituras...

Como ler é uma das coisas que mais amo, então ao invés de postar aqui sobre o que ando lendo, venho fazendo estes registros no site SKOOB, o site é muito legal, e oferece muitas ferramentas para manter não só o controle do que leio, mas também dos livros que tenho, dos que desejo ter, dos que estão emprestados, e por aí vai... então, para quem quiser saber o que estou lendo, é só dar uma passadinha no meu perfil, o link é:
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http://www.skoob.com.br/usuario/20934

Dia da Saudade 2011.

sábado, 27 de março de 2010

Tênis x Frescobol (Rubem Alves)

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim... (O retorno e terno, p. 51.)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DEUSAS DO SEXO... POR ARNALDO JABOR

Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo.
Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha?
As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São para "ver".
Que nos prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones?
Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não estão preparados...
As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura.
Os machos estão com medo das "mulheres-liquidificador".
O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu Deus!), é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a "Valentina", a "Barbarela", a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiperatômico tesão.
Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há.
Os "malhados", os "turbinados" geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou.
Ou, então, reprodutores como o Zafir, para o Robô-Xuxa.
A atual "revolução da vulgaridade", regada a pagode, parece "libertar" as mulheres.
Ilusão à toa.
A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: Superobjetos. Se achando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor, carinho e dinheiro.
São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.
Mas, diante delas, o homem normal tem medo.
Elas são "areia demais para qualquer caminhãozinho".
Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens.
Eles vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme "jamesbondiano" dos anos 60.
Não há mais o grande "conquistador".
Temos apenas os "fazendeiros de bundas" como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por deusas impossíveis.
Ah, que saudades dos tempos das bundinhas e peitinhos "normais" e "disponíveis"...
Pois bem, com certeza a televisão tem criado "sonhos de consumo" descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu).
Mas ainda existem mulheres de verdade.
Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o que tem "dentro de casa", o seu trabalho.
E, acima de tudo, mulheres com quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem medo de parecer um "chato" ou um "cara metido a intelectual".
Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje, como abrir a porta do carro para elas.
Mulheres que adoram receber cartas, bilhetinhos (ou e-mails) românticos!!
Escutar no som do carro, aquela fitinha velha dos Beegees ou um cd do Kenny G (parece meio breguinha)...mas é tão boooom namorar escutando estas musiquinhas tranquilas!!!
Penso que hoje, num encontro de um "Turbinado" com uma "Saradona" o papo deve ser do tipo:
-"meu"... o meu professor falou que posso disputar o Iron Man que vou ganhar fácil!."
-"Ah "meu"..o meu personal Trainner disse que estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica". E a música???
Só se for o "último sucesso (????)" dos Travessos ou "Chama-chuva..." e o "Vai serginho"???...
Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos!!
Não comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por natureza!!
Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa de americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e bonito por natureza. E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês "malharem" e ficarem iguais à Feiticeira, fiquem... igual a feiticeira dos seriados de Tv:
Façam-os sumirem da sua vida!


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ser baiano...


ORGULHO DE SER BAIANO

Ser baiano é.....
Ser chamado de preguiçoso pelos cariocas e sentir no tom de voz que eles morrem de inveja porque aqui tudo é perto...
toda hora tá cedo... e o trem das 11 passa às 12:30...
De modo que sempre dá pra tomar mais uma...
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Ser chamado de barbeiros pelos paulistas...
e saber que aqui não tem revezamento, porque o ar não é poluído, os motoristas são calmos e o som das buzinas tocam em ritmo de axé...
ou seja: "PAZ pra todo mundo!!!"...
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Ver os mineiros falarem da nossa culinária
e ficarem babando quando passam na frente
de uma baiana do acarajé....(Huuuhnmmm...)
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Saber que as mulheres e os homens mais
lindos do país estão no Espírito Santo...
e ter a felicidade de saber que nas férias eles vêm para cá ficar de joelhos...
para dizer amém na Bahia...
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Ver as loiras gaúchas e catarinenses andando de mãos dados com os negões sarados...
Ver os mais lindos turistas no maior love...
descobrindo "o que a baiana tem"...
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Passar no Dique receber um axé dos orixás...
seguir direto e ver a Fonte Nova azul, vermelha e branca... e vermelho e preto...
e os torcedores do Vitória misturados aos do Bahia...
mas...sempre, cheia e alegre... sem bomba, sem tiro, sem pancadaria...
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Ver o Pôr-do-Sol do Farol...
...da Barra, do Humaitá, de Mar Grande...
Aaaahhh... de qualquer lugar...
Pois aqui o sol se põe inteiro!
Em qualquer lugar dá pra vê-lo dormir sobre o mar...
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Passar uma tarde em Itapuã...
ao Sol que arde em Itapuã...
falar de amor em Itapuã....
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Sentar em Cira e pedir... uma gelada, um abará e um acarajé "cortadinho"
Ver as pessoas passando para um lado e para outro... depois de sair do trabalho... .........................................................
Morrer de rir quando vê na televisão o carnaval em outros estados
com um ou dois trios elétricos falsificados tocando na praia, e o pessoal jogando "espuminha" enquanto um som mecânico toca música de Bel e de Ivete...
Ver os turistas" fazendo (errado) as coreografias que fizeram sucesso na Bahia.....
no final do ano passado (risos)
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Ir passar o Carnaval em Recife e Olinda dançar frevo melhor que os pernambucanos
e poder curtir saudosamente aquele carnaval de mil novecentos e antigamente
quando o tempo parou lá....
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Ir para qualquer lugar e ser logo reconhecido
Onde estamos: fazemos amigos, sabemos conversar, dançar, cantar, encantar e sorrir,
hehehe, modestia a parte, também somos bons de cama.....
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Ir pra o Aeroclube passear na porta de todas as boites, barzinhos, paquerar, charlar, xavecar, arrumar namorada (o)... tomar um chopp e gastar só um real...
isso quando não volta com troco....
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Ir pra "Aleluia" e ver todo mundo pecando de roupa mínima...
Ir para Piatã e Ipitanga e não ser programa de índio
Ir para o Porto da Barra de segunda a sexta e não ver um navio...
Porque no porto da Barra só tem "avião"
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Não ser "expert", mas sempre se dar bem
Não ser "ô meu" e mandar no pedaço
Ser nordestino até Ilheus ...
sulista à partir de Porto Seguro ...
e Nortista até Juazeiro...
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Ser baiano é saber que mora na maior cidade do Brasil.
As duas primeiras não são "cidades" ...são só um monte de amontoado:
...grande isso ...grande aquilo
Que tem tudo que uma cidade pequena deve ter,
Tudo que uma cidade grande precisa.
Poder sair a noite com relógio no pulso...
sem medo de bala perdida...ou certa...
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Ser baiano é ser amigo ser honesto e ser alegre.
É ter a consciência que mora em uma cidade onde Deus pegou o melhor das outras partes do mundo, encostou no mar, do lado de umas serras, cortou por uns rios...misturou tudo...
e fez uma linda cidade, dando-lhe o nome de Seu Próprio Filho...
SALVADOR!!!
(Autor desconhecido)
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SALVE 02 DE JULHO!!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Vitória é bicampeão no Baiano (04/05/2008)

O Vitória é bicampeão do Campeonato Baiano.
O Rubro-Negro venceu o Itabuna por 5 a 1 neste domingo e superou o Bahia, que derrotou o Vitória da Conquista por 5 a 0, no número de gols marcados para levantar o troféu no Barradão. Rodrigão e Marquinhos foram os nomes da partida, com dois gols, mas foi Bida que marcou o gol que deu o título ao time de Vagner Mancini.
A fase final terminou com Vitória e Bahia somando dez pontos. O Vitória da Conquista foi o terceiro colocado, com oito, enquanto o Itabuna fez seis, em quarto.

O jogo
O Vitória começou pressionando o adversário. Logo aos dois minutos, Bida cabeceou e a bola bateu na zaga com o goleiro Vandré já batido. A pressão, no entanto, não criou outras grandes chances, e o Itabuna aos poucos foi equilibrando o jogo, principalmente com as jogadas que saíam dos pés de Lei. Apesar da melhora do Itabuna, a equipe da casa conseguiu abrir o placar aos 32 minutos. Ramon tentou chutar para o gol, a bola desviou na zaga e caiu nos pés de Rodrigão. O atacante não titubeou e com o pé direito fez Leão 1 a 0.

Leão fecha o caixão no segundo tempo
No primeiro ataque do segundo tempo, tudo que o torcedor rubro-negro queria. Rodrigão recebeu de Ricardinho, bateu cruzado e fez 2 a 0 para o Rubro-Negro. Aos quatro, Marquinhos roubou bola de Edson, avançou, driblou Vandré e ampliou. Neste momento, o Bahia vencia o Vitória da Conquista por 1 a 0, o que dava o título ao time de Vagner Mancini.
O Vitória não quis administrar o resultado. Chegou ao seu quarto gol, novamente com Marquinhos, aos 12. Lei, de pênalti, diminuiu três minutos depois.
O Tricolor ainda chegou a ameçar o título ao fazer 4 a 0 - precisava de mais um gol para vencer o Leão no saldo de gols. No entanto, Bida deixou os torcedores rubro-negros tranqüilos. Ele invadiu a área e marcou o quinto gol.
Fim de jogo e os jogadores do Vitória não podiam comemorar. Com 5 a 0 para o Bahia naquele momento, um sexto gol do Tricolor dava o título ao rival. Dois minuos depois, enfim veio o grito de "campeão". É o 24º título rubro-negro na história do Campeonato Baiano.
(Globoesporte.com)

Netinho – Ao Vivo (1996)


Embora a axé music possua vários artistas maravilhosos, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Timbalada, Jammil e Uma Noites, Terra Samba, Ara Ketu, Margareth Menezes, Olodum, Carla Visi e Banda Eva, infelizmente a partir de 2005 o Carnaval de Salvador estará órfão e não terá o mesmo brilho dos últimos 17 anos. Já que a partir do ano que vem o melhor artista masculino da história do axé estará ausente da maior festa popular do planeta. Quem tem mais de 20 anos de idade, curte axé music há vários anos e teve a felicidade de sair em algum bloco puxado por Netinho no Carnaval de Salvador ou em alguma micareta, sabe que esse talentoso artista da pequenina cidade de Santo Antônio de Jesus faz parte da história da música brasileira e não apenas da Bahia. Juntamente com a Rainha Daniela Mercury, o genial Netinho foi o grande responsável pela popularização da axé music em todo o país na década de 90.
O mesmo conto de fadas que Ivete Sangalo anda vivendo atualmente, o ex-vocalista da Banda Beijo experimentou há mais ou menos sete anos, quando era considerado um dos grandes nomes da música nacional. Nessa época sua agenda de shows era intensa (chegou a fazer 29 apresentações num único mês), ele era disputado a tapa pelos principais programas de TV e suas músicas estavam sempre entre as mais tocadas nas rádios FM e AM de norte a sul do Brasil.Bastante perfeccionista, esse canceriano com ascendente em libra levou mais de dois meses para produzir o seu primeiro trabalho Ao Vivo, que foi gravado em julho de 1996, na casa de shows Augustu’s, em Aracaju, capital de Sergipe e mixado no estúdio “Castle Oaks”, em Los Angeles, nos Estados Unidos.Após o árduo trabalho em busca do repertório perfeito e arranjos ideais, “Netinho – Ao Vivo”, o nono CD da carreira do filho do Senhor Ernesto e da Dona Ivanise, mesclou com maestria algumas músicas inéditas, como “Tem Jeito Não”, “Pra Ela” e “Menina Linda”, os hits dos tempos da Banda Beijo, como “Barracos”, “A Vida é Festa”, “Beijo na Boca”, “Qualquer Estação” e “Estrela Primeira” e claro, os grandes sucessos dos seus três primeiros álbuns na carreira solo: “Capricho dos Deuses”, “Total”, “Menina”, “Jeito Diferente”, “Gostoso Demais”, “A Vida Não é Brincadeira”, “Preciso de Você” e “Rainha do Baile”.No entanto, por ironia do destino, apesar da inédita “Menina Linda” ter sido a primeira faixa de trabalho, o grande talismã desse CD foi a música “Milla”, uma regravação da banda Jheremmias Não Bate Corner, que pouco tempo depois acabou mudando de nome e virou o Jammil e Uma Noites. Composta pelo inspiradíssimo Manno Góes, o compositor mais romântico do axé, “Milla” virou mania nacional e liderou o hit parade das rádios brasileiras por vários e vários meses. A música fez tanto sucesso nos anos de 97 e 98, que ela chegou a ser regravada em outras oito línguas, inclusive em russo e ajudou a Netinho a ser conhecido em alguns países da América Latina e da Europa. Sucesso de vendas e de crítica até em Portugal, onde conquistou Disco de Platina Triplo, “Netinho – Ao Vivo” é sem dúvida nenhuma um dos melhores e mais importantes CDs da história da axé music. Pois foi a partir do seu enorme sucesso em todo o Brasil, ao vender mais de 2,5 milhões de cópias, faturando Discos de Ouro, Platina, Platina Duplo e Diamante, que vários artistas, como Chiclete com Banana, Banda Eva (Ivete Sangalo), Cheiro de Amor (Carla Visi), Timbalada, Ara Ketu, Terra Samba, Ricardo Chaves e Bandamel também decidiram apostar todas as suas fichas em trabalhos Ao Vivo. E foi a partir do sucesso desses trabalhos Ao Vivo que em pouco tempo a axé music acabou vivendo o seu grande boom comercial e de penetração na mídia, deixando de ser uma simples música regional de Carnaval para tornar-se em um dos principais estilos musicais de nosso país, apesar do preconceito de certos “moderninhos” e invejosos, que ainda teimam em achar que o axé é apenas sinônimo de dançarinas gostosas, danças sensuais e músicas vulgares e apelativas.
FIQUE DE OLHO E OUVIDO EM PÉ:ÓTIMAS: “Preciso de Você”, “Capricho dos Deuses”, “Barracos (Escombros)”, “Pra Ela”, “Pot-Pourri Total/ Rainha do Baile”, “Milla”, “A Vida é Festa”, “Tem Jeito Não”, “Estrela Primeira (Amor, Eu Fico)”, “Beijo na Boca”, “Pot-Pourri Prefixo de Verão/ We Are The World Of Carnaval/ Um Frevo Novo”, “Pot-Pourri Jeito Diferente/ A Vida Não é Brincadeira/ Qualquer Estação”, “Pot-Pourri Gostoso Demais/ Menina” e “Menina Linda” (versão estúdio)
por Érick Melo em 27/09/2004